Porque nasce o Luta Certa
Há muito que o espaço público se tornou previsível, viciado e pouco incómodo.
Não porque falte conflito na realidade, que é mais patente do que nunca, mas porque foi sendo afastado de quem nele devia participar. A intervenção foi substituída pela reação, a participação pela opinião adjetivada nas redes sociais, e o envolvimento real por um consumo passivo do que outros dizem e fazem.
Criou-se um espaço onde tudo parece discutido, mas onde quase nada é verdadeiramente decidido por quem vive as consequências.
A política foi sendo progressivamente esvaziada do seu conteúdo transformador, reduzida a uma lógica de gestão que aceita como inevitáveis as estruturas existentes.
Assim, o que poderia ser debate é muitas vezes encenado, e o que deveria ser conflito é neutralizado em nome de uma estabilidade que serve sempre os mesmos interesses.
Vivemos numa realidade quase que paralela, num exercício de gestão sem horizonte, onde o que interessa é manter e reforçar o poder daqueles que nunca o deixaram de ter, ainda que possamos pensar que estamos a fazer exatamente o contrário.
Ao mesmo tempo, persistem e mais grave, aprofundam-se, desigualdades, injustiças e formas de exploração que continuam a marcar a vida concreta de quem trabalha, de quem fica para trás e de quem nunca chega a ter verdadeira voz.
É neste contexto que nasce o Luta Certa.
Este não é um espaço neutro. Nem pretende ser. Parte de uma posição clara. A de que a realidade não é inevitável e de que a transformação social não só é possível como necessária.
Aqui escreve-se para intervir. Intervir para recusar a ideia de que tudo está decidido, questionar o que se apresenta como natural, desmontar discursos dominantes e trazer para o centro aquilo que muitas vezes é empurrado para a margem.
O Luta Certa não se limita a um único plano. Cruza análise política e ideológica com a observação concreta da realidade, sem ignorar a dimensão cultural, social e até pessoal que molda a forma como pensamos e vivemos.
Não se trata de comentar a atualidade de forma episódica, mas de tentar compreendê-la, nas suas causas, nas suas consequências e nos interesses que a extravasam.
Este espaço está também aberto a outros contributos. A intervenção não é propriedade de ninguém. Pelo contrário. Só ganha força quando é coletiva, quando se multiplica e quando se enraíza em diferentes experiências e territórios.
Há aqui uma posição. Há um lado. Há uma leitura do mundo que não se esconde atrás de uma falsa neutralidade.
O Luta Certa nasce, por isso, como um espaço de combate, no plano das ideias, da análise, da palavra e da ação.
Porque compreender é importante, necessário é tomar posição.
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